“Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; mas os discípulos, vendo isso, os repreendiam. Jesus, porém, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de modo algum entrará nele.” (Lucas, cap. 18, vv 15 a 17)
Essa passagem nos faz pensar… Se, na época de Jesus, as mães tentavam instruir os filhos para o bem, como é hoje em dia? Sabemos que o mundo hoje é mais evoluído, tem mais facilidades. Diferente das imposições e restrições sobre crianças e mulheres daquela época, vivemos uma cultura mais livre, com mais acesso à informação. A vida é mais fácil, portanto, deveria haver uma procura maior das mães para que seus filhos conhecessem Jesus.
Mas isso não ocorre… Que tipo de mãe hoje em dia prefere levar o filho a um local de oração a levá-lo ao cinema num sábado? Ou levá-lo à uma tarefa de auxílio ao próximo, ao invés de levá-lo à praia?
Levar os filhos a Jesus, naquela época, significava vencer todas as barreiras. Como sempre falamos no nosso centro, hoje em dia, as dificuldades são morais: é uma pressão de amigos pra ir à praia, às festas… É um convite que parece irrecusável…
Mas, ao longo da História, podemos lembrar de irmãos que perceberam essa deficiência de Evangelho nas crianças e jovens, que tentaram e conseguiram levar luz à crianças e jovens nessa idade tão importante para o desenvolvimento espiritual…
Vejamos, por exemplo, Dom Bosco. Considerado santo pela Igreja Católica, ele viveu na Itália, no século XIX e entrou para a história graças ao trabalho realizado nos Oratórios Festivos, que deu origem à ordem salesiana. Não trarei a biografia dele aqui, deixarei isso para um próximo estudo, mas é importante saber que ele não só proporcionava um ambiente de educação e lazer para seus jovens, como também ensinava o Evangelho, se preocupando desde sua juventude com a educação segundo o Evangelho para com os jovens e crianças.
O que mais me impressiona no Dom Bosco é o desvelo que ele tinha para ensinar a esses jovens! Na época, já existiam oratórios na Igreja Católica, mas as reuniões ocorriam em apenas uma parte do domingo. Dom Bosco, se preocupando com a educação e não com o seu tempo e afazeres, criou o Oratório Festivo, que consistia em ficar o domingo todo com os jovens, além de dedicar também os feriados à tarefa.
Ele gostava de fazer malabarismos, brincadeiras e adorava música. Com isso, ele atraía os jovens, com a condição de que eles lembrassem do que havia sido passado durante o dia com relação a Jesus. E o que mais me impressiona é que estamos falando de uma época em que poucos se preocupavam com o bem-estar dos jovens e crianças, pois era o auge da revolução industrial… Crianças trabalham nas fábricas sem nenhum direito a viverem a sua infância e Dom Bosco fez com que elas vivessem uma parte de sua infância nos Oratórios Festivos!
Para consolidar sua obra, ele enfrentou todas as dificuldades que surgiram no seu caminho. Conforme o tempo passava, era difícil acolher as centenas de meninos que surgiam e, em certo momento, o oratório chegou a ser alvo de perseguições, obrigando Dom Bosco e seus jovens a se mudarem diversas vezes. Mas ele perseverou sempre e garantiu a continuidade da obra, que existe até hoje em mais de 130 países.
Também temos o exemplo de Madre Teresa, mais próximo de nossos tempos. Ela não tinha condições de fazer nada quando saiu do convento para ensinar as crianças em Calcutá… Mas mesmo assim o fez, começou a ensiná-las do jeito que dava. Começou debaixo de uma árvore a ensiná-las a ler e a escrever, sempre com muito carinho e atenção.
O que mais me chama a atenção na vida da Madre Teresa é que o cenário em que ela vivia era muito complexo. Era uma zona de conflito entre os muçulmanos e os hindus, e ela era católica. Por mais que ela tentasse ajudar, era difícil lidar com a rejeição do povo. Mas ela lutou contra as dificuldades até conseguir com que o povo confiasse nela.
Que possamos assim como ela, Dom Bosco, e tantas outras pessoas, fazer com que as crianças recebam a semente do bem, mesmo com as dificuldades que temos hoje. Se pais e mães, enfim, de todos os adultos puderem envolver as crianças, que ficam sob suas responsabilidades, com o Evangelho, com certeza elas se tornarão adultos melhores, com base no bem.
por Luís Henrique