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esde os primórdios, é realizado o intercâmbio com o mundo dos espíritos. Não importa a época, a classe social, a crença, a etnia. Em nossa fisiologia, lá está ela – a tão falada mediunidade, inata em qualquer ser humano. Mas que ferramenta é essa tão em voga e, ao mesmo tempo, tão incompreendida?
Através da História, verificamos vários relatos da comunicabilidade com o “invisível” como, por exemplo, as pitonisas do Oráculo de Delfos ou ainda, as famosas sibilas, da cultura greco-romana. Ainda na Grécia, o “Pai da Filosofia”, Sócrates, dizia que suas ações eram direcionadas pela voz de um daemon, que nada mais era que seu espírito protetor. Não podemos esquecer também da cultura israelita, formada, política e socialmente, a partir de profecias. Para os judeus, os profetas representam, na Terra, a voz do espírito Jeová. O tempo passa e a era Crística inicia-se com inúmeros fatos acerca deste intercâmbio. Maria de Nazaré recebe a mensagem do espírito Gabriel sobre a missão de seu Filho. Jesus se torna adulto e inicia sua tarefa missionária. Os evangelhos narram que o Mestre curou dezenas e mais dezenas de pessoas que estavam “endemoniadas”, ou seja, sob a influência de espíritos inferiores. Mais a frente, encontramos a passagem do Monte Tabor, em que Jesus trouxe a oração de uma forma jamais vista – um meio de comunicação com os bons espíritos. Naquele momento, Pedro, Tiago e João viram o Rabi conversando com Moisés e Elias, os dois grandes profetas da raça. Após a crucificação, Ele aparece, em espírito, materializado, para 500 pessoas na Galiléia e pouco tempo depois, os apóstolos pregam em diversas línguas, no evento do Pentecostes. Todavia, mesmo com a larga quantidade de relatos sobre a interação entre os planos físico e espiritual, a mediunidade se tornou sinônimo de dom, privilégio e, não raras vezes, encarada com receio, ao aparecer tão ostensiva. No século XIX, Allan Kardec ilumina nossas consciências através da codificação espírita, elaborada e organizada totalmente, através de experiências mediúnicas. Trouxe-nos, enfim, que o conhecido sexto sentido é um sentido natural, como a visão, o tato, o paladar, o olfato e a audição. Mostrou-nos que os sensores psíquicos fazem parte do nosso organismo, através de nossas estruturas endócrinas e celulares. Esclareceu-nos que não há dom nem privilégio. A mediunidade é unicamente para alavancarmos espiritualmente, sendo mais uma forma de auxílio ao próximo e, principalmente, a nós mesmos, espíritos ainda em depuração moral. Experiências Mediúnicas para iniciantes traz as mais variadas histórias, verídicas, de pessoas que encarnaram com esta valiosa oportunidade de crescimento espiritual que é a ferramenta mediúnica. Nas narrativas de Jordão, vislumbramos a real necessidade do “Conhece-te a ti mesmo” e do “dai de graça o que de graça recebestes.”. Aprendemos quão grande é a misericórdia do Criador, que nos permite estar sempre juntos daqueles a quem amamos, sentindo-os, através das possibilidades extra-sensoriais; permitindo-nos, igualmente, auxiliar aqueles a quem fizemos mal, através da bagagem mediúnica que trazemos ao nascer. E ainda, nos conscientizando da importância do tempo que dispomos no plano terreno e que, cegos pelas ilusões da matéria, nos desviamos do objetivo primeiro que é a reforma íntima, feita com esforço e renúncia, num exercício constante de perseverança, rumo à nossa edificação espiritual. Vemos, enfim, como é inesgotável o Amor do Cristo, pois que nunca nos nega os meios de servir e evoluir, em Seu nome. | ||